segunda-feira, 27 de julho de 2009

Portfólio de Aprendizagens – O que é ? Para que serve ? Como deve ser ?

O Portfólio de Aprendizagens é um espaço de trabalho onde são registradas as experiências de aprendizagens, através de objetos representativos dos conhecimentos adquiridos, anotações, imagens, documentos e links.
O Portfólio de Aprendizagens é uma espécie de resumo da trajetória de aprendizagem. Ele serve para refletir as práticas, partilhar as aprendizagens e pode ser utilizado pelos professores, para avaliar o desempenho dos alunos.
O Portfólio de Aprendizagens deve ser bem identificado, objetivo e suas postagens devem ser constituídas por anotações bem argumentadas e evidências que caracterizem a aprendizagem.
No nosso caso, estudantes do PEAD, o Portfólio de Aprendizagens deve ser elaborado através de postagens reflexivas, densas, inter-relacionando as diferentes interdisciplinas. Devem constar relatos de nossas práticas e considerações acerca de nossas mudanças.

sábado, 6 de junho de 2009

Violência na Escola


Lendo o texto Significações de violência na Escola: Equívocos da compreensão dos processos de desenvolvimento moral na criança, de Jaqueline Picetti, refletindo sobre a violência nas escolas, o processo moral e a nossa responsabilidade, como professores perante tudo isso, lembrei-me de várias situações vivenciadas na escola, mas, as que mais me significaram, foram as vivenciadas com um aluno de 8 anos, da 1ª série que tinha, em 2006. Ele era morador de vila, muito pobre, tinha um irmão mais velho e uma irmã ainda bebê. Ele era muito agressivo com todos, e não tinha o dia que não se metesse em confusão e ele agitava tanto as aulas, que quando faltava, era mais fácil desenvolver as atividades e o dia era muito mais tranquilo. Apesar dele transformar a minha vida e a de seus colegas, em um verdadeiro pesadelo, pois, nem eu, nem os colegas, sabiam mais como lidar com ele, tinha pena dele, além de um grande carinho e estudava suas atitudes e a maneira que deveria conduzir as situações do dia a dia. Refletia muito e tentava entender porque ele agia da forma que agia. Se vivenciava atitudes violentas em casa, se seus pais não lhe ensinavam os valores morais, se ele fazia isso como forma de chamar a minha atenção pelo fato de sentir-se carente, não sei, nunca descobri o porque de suas atitudes.
Alunos como o exemplo que dei e atitudes violentas, por parte dos alunos, como forma de resolução de questões desagradáveis, tem sido mais constantemente percebidas em nossas escolas. Muitos professores acreditam que, pelo fato dos alunos viverem na “vila” e, que geralmente esta costuma ser violenta, tornam-se violentos. Segundo Piaget, esta crença está ligada a uma concepção de que o ambiente imprime na pessoa o modo de ser e de se comportar. Outros professores, defendem a idéia de que, se os pais são violentos, a criança também será. Esta crença está relacionada com uma concepção de que a pessoa traz consigo geneticamente as características de sua personalidade, não havendo possibilidades de mudança. Ou seja, os primeiros defendem a concepção empirista, acreditando que há uma pressão das coisas sobre o espírito e considerando a experiência como algo que se impõe por si mesmo e os demais, defendem uma concepção inatista, que considera que o conhecimento é concebido como algo que mergulha suas raízes no sistema nervoso, na estrutura pré-formada do organismo.
Segundo conclusões de Piaget em suas pesquisas, o espírito evolui do fenomenismo, que se situa a meio caminho entre o corpo e o meio externo, até à experimentação ativa, que penetra no interior das coisas, descartando a concepção empirista e inatista como explicações da construção do conhecimento nas pessoas.
Com base em Piaget, podemos dizer que a criança na fase entre 7 e 10 anos está construindo as noções de responsabilidade, solidariedade, justiça e intencionalidade. E é fundamental que durante esta fase, os professores estejam atentos para auxiliarem as crianças a refletirem sobre as diferentes situações vivenciadas na escola.
Hoje, vejo este meu aluno com um olhar diferente. Sua maneira de agir era fruto das características da fase em que estava passando, de construção da autonomia. E que os diálogos que tinha com ele, quando algo acontecia, não tinham tanto significado, embora me esforça-se, tentando explicar, dar exemplos, do que era certo ou errado e das consequências de tudo isso, quanto os exemplos, a vivência e as experiências nada positivas que ele tinha com a família, uma mãe com problemas psicológicos e um pai presidiário. Pois, segundo o texto, a vivência, a experimentação e interação de valores, tem muito mais significado que a imposição do que é certo e errado, através da autoridade do professor.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Índios

Segundo os dicionários da língua portuguesa, a palavra índio significa natural de um lugar ou nativo. É também o nome dado aos primeiros habitantes nativos do continente americano, apesar desta denominação ser apenas o resultado na verdade, de um erro náutico, pois, em 1492, quando o navegador Cristóvão Colombo, partiu da Espanha rumo às Índias, a frota ficou à deriva por muitos dias até alcançar uma região continental que Colombo imaginou que fossem as Índias, mas que na verdade era o atual continente americano, apelidando o povo que encontrou de “índios” ou “indígenas”. Sendo assim, podemos dizer que, na verdade, não existe nenhum povo, tribo ou clã com a denominação de índio, cada “índio” pertence a um povo, a uma etnia identificada por uma denominação própria.
Guarani, Yanomami, dentre outros povos, “denominados indígenas”, são historicamente distintos e rivais, cada um constituindo uma sociedade única, organizada a partir de uma cosmologia própria, que com o passar do tempo e o surgimento do movimento indígena, chegaram à conclusão da importância de manter a denominação “índio” ou “indígena”, pelo fato desta, unir, articular e fortalecer esses povos, cansados de serem alvos de preconceitos.
Antes disso, a denominação de índio ou indígena era negada pelos povos indígenas por ser pejorativa e desqualificadora, e as identidades étnicas particulares também eram negadas ou reprimidas, por isso, muitos índios negavam suas identidades e suas origens.
Hoje em dia, os índios se orgulham de serem nativos, originários, portadores de uma civilização própria e de pertencerem a uma ancestralidade particular. Eles vivem um momento especial, após anos de massacre, escravidão, dominação e repressão cultural e respirando um ar menos repressivo, resgatam suas culturas e tradições.

Autismo

O termo autismo vem do grego “autós” que significa “de si mesmo”.
Em 1906, Plouller introduziu o termo autista na literatura psiquiátrica, mas foi Bleuler, em 1911, o primeiro a difundir o termo autismo para referir-se ao quadro de esquizofrenia, que consiste na limitação das relações humanas e com o mundo externo. Em 1943, o psiquiatra americano Leo Kanner, que trabalhava em Baltimore, nos Estados Unidos, descreveu um grupo de onze casos clínicos de crianças em sua publicação intitulada “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo”. As crianças investigadas por Kanner apresentavam inabilidade para se relacionarem com outras pessoas e situações desde o início da vida (extremo isolamento), falha no uso da linguagem para comunicação e desejo obsessivo ansioso para a manutenção da mesmice.
O Autismo é um transtorno do desenvolvimento e quem o possui apresenta, em muitos quadros, quociente de inteligência abaixo da média. Os sintomas variam amplamente e manifestam-se de diversas formas, variando do mais leve ao mais alto comprometimento: na diminuição no uso de comportamentos não-verbais como contato ocular, expressão facial, postura corporal e gestos para interagir socialmente; através da dificuldade em desenvolver relações de companheirismo; no atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral, sem ocorrência de tentativas ou modos alternativos de comunicação, como gestos ou mímicas; através de padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento, interesses e atividades, manifestados por obsessão por atitudes ou objetos específicos; na fidelidade aparentemente inflexível a rotinas ou rituais; em hábitos motores repetitivos, dentre outras manifestações.
A identificação deste transtorno é um processo demorado e que muitas vezes passa por uma série de diagnósticos errôneos, pelo fato de ser confundido com outras síndromes ou com outros transtornos globais do desenvolvimento, pelo fato de não ser diagnosticado através de exames laboratoriais ou de imagem, por não haver marcador biológico que o caracterize, nem necessariamente aspectos sindrômicos morfológicos específicos.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Escola na perspectiva de uma EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A Declaração de Salamanca, considerada mundialmente um dos mais importantes documentos que visam a inclusão social, que trata dos Princípios, Política e Prática em Educação Especial, traz-nos a seguinte mensagem: “A educação na perspectiva escolar é uma questão de direitos humanos, e os indivíduos com deficiências devem fazer parte das escolas, as quais devem modificar seu funcionamento para incluir todos os alunos.”
Mas, o que caracteriza essa mudança ? Como deve ser a escola nessa perspectiva ?
Apresento alguns pontos, para iniciar a reflexão:
1. Para a escola ser inclusiva, ela deve primeiramente partir do princípio de que todo aluno aprende, independente de suas necessidades especiais.
2. O cotidiano escolar deve envolver mais atividades cooperativas que competitivas.
3. A escola deve proporcionar ambientes adequados: sala de recursos, corrimão para os cegos, livros em braile, entre outros infinitos materiais de apoio existentes atualmente.
4. Sentimentos como respeito, solidariedade, cooperação e compreensão devem fazer parte do cotidiano.
5. Momentos de trocas, onde os professores auxiliam uns aos outros mutuamente, a partir de questões comuns são fundamentais.
6. Oportunidades de aperfeiçoamento para os educadores.
7. Adoção de abordagens de ensino variadas, para que seja possível trabalhar com alunos com diferentes níveis de desempenho.
8. Investimento em tecnologia para dar apoio.
9. A escola deve estimular os alunos com necessidades educacionais especiais a participarem plenamente das atividades, inclusive das atividades extracurriculares.
10. Deve considerar os pais dos alunos como parte plena da comunidade escolar, aceitando sugestões e a sua participação;
11. Deve proporcionar aos alunos com necessidades educacionais especiais um currículo escolar pleno e flexível sujeito a mudanças caso seja necessário.

Ao contrário dos pontos positivos elencados, gostaria de colocar pontos negativos que devem ser evitados ao máximo:
1. Atitudes negativas em relação à deficiência.
2. Invisibilidade na comunidade das crianças com deficiência que não freqüentam a escola.
3. Barreiras físicas, dificuldades de acesso.
4. Discriminação por gênero.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Alternativas !!!






Trabalhar com alunos portadores de necessidades educacionais especiais exige certos conhecimentos por parte dos professores, bem como muita criatividade, certas adaptações e alternativas para que o aluno realize o que deseja ou precisa.

Existem muitos produtos, instrumentos e equipamentos ou tecnologias adaptados ou especialmente projetados para melhorar a funcionalidade da pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida, que favorecem a autonomia pessoal, total ou assistida. Um aluno com deficiência física, por exemplo, para realizar uma atividade de recorte, precisará de uma tesoura diferente para que ele possa manejá-la com a habilidade que possui. Caso ele necessite de auxílio, o professor pode propor uma alteração da atividade para que ele sinta-se capaz de realizar a atividade.

O professor pode em sala de aula, se deparar com outro problema: no manejo do lápis, giz de cera ou pincel, por exemplo, que exigem uma habilidade motora fina. Essa pode parecer muito complicada para certos alunos e o professor poderá utilizar como alternativas as seguintes idéias: utilização de um engrossador para o lápis/pincel ou um arame revestido onde os dedos e a caneta são encaixados “aranha-mola”.

É importante que o professor valorize o jeito de fazer de cada aluno e aumente as capacidades de ação e interação a partir das habilidades de cada um. Fundamental também, é que os educadores nunca deixem de atualizar-se e uma boa dica é dar uma olhadinha no texto Atendimento Educacional Especializado - Deficiência Física, de Carolina R. Schirmer, Nádia Browning, Rita Bersch e Rosângela Machado, que traz várias dicas de materiais escolares e pedagógicos que podem ser utilizados dentre outras sugestões que podem fazer os educadores refletirem e construirem um saber e uma prática sobre o atendimento educacional especial destinado aos alunos com deficiência.

domingo, 17 de maio de 2009

Existe relação entre EDUCAÇÃO, CIVILIZAÇÃO E BARBÁRIE ?



AS DUAS FACES DA EDUCAÇÃO


Ler o ensaio do filósofo alemão Theodor Adorno (1903 - 1969) intitulado Educação após Auschwitz me fez rever algumas questões ! Se precisasse há algum tempo atrás estabelecer uma relação entre educação, civilização e barbárie, sem dúvida alguma, afirmaria que a barbárie é o resultado da falta de educação, mas, não me atrevo mais a apresentar a idéia desta forma !
Hoje, posso afirmar e argumentar que a barbárie não é o resultado da falta de educação ! Há poucos dias atrás, através de investigações realizadas para desvendar um crime, que resultou em duas mortes, descortinou-se uma rede organizada de nazistas no País, com ramificações em vários estados e conexões com outros países. E o que mais me espanta é o fato desta rede ser formada por pessoas com boa formação intelectual, pois, a exigência é tão grande que, para ser admitido na facção, o candidato precisa passar por uma rigorosa prova, realizada pelo computador, em um documento composto por várias perguntas dissertativas. Então pergunto: Para a elaboração de um plano tão detalhado como o “Neuland”, apresentado por Barollo aos seus seguidores em setembro de 2008: eleger vereadores e o prefeito de uma localidade até bem próxima de nós, em Santa Catarina, tomar os Estados do Sul e São Paulo, num movimento separatista objetivando a criação de um novo país, fechar as fronteiras aos imigrantes. Uma pessoa pouco esclarecida, teria a capacidade de elaborar um plano desses? E de participar deste grupo? Os adoradores desta ideologia são pessoas sem educação? Não foram pessoas tituladas e diplomadas, que projetaram o sistema ferroviário para conduzir as vítimas a Auschwitz, por exemplo?
Desta forma, penso que a educação tem duas faces: podemos utilizá-la para o bem ou para o mal, e isso tudo depende do estado de consciência e inconsciência dos homens.
E tem mais ! Nós, educadores, acadêmicos, pensadores, e principalmente seres conscientes, temos responsabilidade social diante de tudo isso! E precisamos educar no sentido da auto-reflexão crítica e nos dedicar à tarefa de esclarecer, para que não ocorra o mesmo que há bem pouco tempo atrás ocorreu em Auschwitz, pois há sim uma relação entre educação, civilização e barbárie, só depende do estado de consciência do ser humano !